30 de outubro de 2011

SEMPRE REFORMANDO


Não pude ver hora mais apropriada para retornar aos escritos aqui em nosso blog do que às vésperas de comemorarmos 494 anos da tão preciosa Reforma Protestante deflagrada pelo monge agostiniano, o impetuoso alemão Martinho Lutero, que não pode ficar calado e indiferente diante da flagrante corrupção da Palavra de Deus por meio dos líderes da igreja daqueles dias, que para Lutero chegou ao seu limite com a generalizada venda das indulgências (um tipo de absolvição comprada tanto para vivos como para mortos), que foi especialmente usada pelo liderança maior da igreja para encher seus cofres e financiar projetos megalomaníacos (parecidos com as mega-igrejas de nossos dias).

Mas a hora é especialmente apropriada para falar do assunto porque em nossos dias as Escrituras tem sido também desprezadas e corrompidas, seja pelas novas teologias que proliferam pelo nosso país; seja pela pregação rasa e carente de conteúdo bíblico e evangélico que prevalece em muitas igrejas e especialmente pela TV; seja pela indiferença e desconsideração que há pelas Escrituras em nossas igrejas, que se dizem mais sérias e mais bíblicas ou seja, finalmente, pela incoerência entre fé e prática que parecem ter se tornado a regra e não mais a exceção em nossos arraiais.

Se Lutero vivesse em nossos dias, e em meio à igreja evangélica brasileira, evidentemente ele não mais combateria as indulgências, mas certamente ficaria constrangido com a pouca consideração que continuamos a ter pela Escritura e certamente entenderia a necessidade de uma nova reforma ou, como tem sido chamada, de um novo retorno á Palavra de Deus.

Que somos frequentemente carentes de reformas, os próprios líderes cristãos do século XVI e seus seguidores deixaram claro ao nos deixar o princípio do “Eclesia reformata semper reformanda est”, pelo simples motivo de que deste lado da eternidade, mesmo já sendo a santa igreja de Jesus, nós sempre estaremos limitados pelo pecado e muitas vezes o veremos prevalecer tanto em nossa vida pessoal, como em nossa casa, na igreja, no ambiente de trabalho e em nossos relacionamentos também.

Que a reforma implica necessariamente um retorno a Palavra de Deus foi sobejamente comprovado não só pelas palavras, mas também pela vida de nossos principais reformadores. Lutero, num sermão em 1522, retrucou aqueles que achavam que ele era alguma coisa, dizendo: “Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz mais nada. E então enquanto eu dormia, ou bebia cerveja em Wittenberg a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada, a Palavra fez tudo”. Calvino, quando voltou para uma igreja que o havia expulsado três anos antes por algumas discordâncias, na primeira oportunidade em que se colocou novamente diante daquela comunidade, ao invés de se justificar ou tentar se defender (como muitos de nós o faríamos em situação semelhante), simplesmente abriu a Bíblia e continuou a exposição de onde havia parado quando pregara ali pela última vez.

Deus queira que realmente comemoremos mais uma vez a Reforma Protestante, a quem devemos tanto, reconhecendo especialmente que Deus mesmo a fez acontecer a fim de conduzir sua igreja de volta ao caminho. Mas mais do que comemorar, que o Senhor nos dê a graça de honrarmos os ideais daqueles homens e mulheres, procurando sempre examinar às nossas vidas sob o juízo perfeito da Palavra de Deus para que continuemos ser uma igreja reformada que sempre se reforma à luz das Escrituras, que nos foram dadas justamente para que, neste mundo de trevas externas e internas, tenhamos uma direção certa no caminho até que a manhã chegue e a Estrela da alva nos ilumine de uma vez para sempre.

Em Cristo, o Grande Reformador de nossas vidas.

Djaik

21 de maio de 2011


Refletindo sobre o Homossexualismo... Enquanto Ainda posso me expressar

             Não posso deixar de confessar minha tristeza e constrangimento, tanto com a notícia de que o STF aprovou o casamento entre homossexuais como também que o primeiro casamento aconteceu na capital de nosso estado, Goiânia. Resolvi escrever algo sobre o assunto para manifestar minha indignação e porque a “ditadura gay” já tem lutado também até para não deixar nem que outros expressem sua opinião contrária, numa clara incoerência com a própria luta deles pela liberdade. Enquanto ainda somos livres para nos expressar.
             O fato é que a sociedade e suas autoridades têm se deixado levar por uma minoria especialmente barulhenta, e apoiada pelos que se acomodaram no politicamente correto, que tentam fazer com que o homossexualismo seja algo normal e, como no caso de uma novela recente, mostrar que quem discorda de tal postura é desequilibrado ou irracional.
             Não concordamos com o afoito deputado Bolsonaro que, por se deixar levar por sua indignação, se expressa de modo inadequado e acabar por dar munição para a “bancada gay” da câmara dos deputados que tem se aproveitado das manifestações do parlamentar para mostrar que os que discordam do homossexualismo são legalistas e primitivos; soma-se a isso, o fato de que povo brasileiro é especialmente acrítico  e passivo no que se refere ao que a mídia aprova e incentiva.
             Sem querer entrar profundamente no mérito da questão, mas tentando fazer com que pensemos melhor no assunto, vale a pena desafiarmos os defensores do homossexualismo e suas implicações quanto a refletir sobre algumas questões relacionadas ao assunto.
             Em primeiro lugar, precisamos ser sensatos e racionais quanto aquele que tem sido o argumento mais utilizado para defender a prática homossexual: a liberdade ou o direito de escolha. Alega-se que o indivíduo é livre para expressar como quiser a sua sexualidade, ou melhor, é livre para ser o que quiser em termos de prática sexual. A alegação é tão insensata quanto infantil, visto que a natureza com que a pessoa foi feita já mostra quem ela é, e isto pode ser visto tanto física quanto emocionalmente, só não vê quem já tem se deixado levar de tal forma pelas pressuposições homoafetivas que se torna cego para aquilo que não pode ser negado em sã consciência. E ainda quanto à liberdade, basear qualquer comportamento meramente nela é algo facilmente refutável, pois se ser homossexual é uma questão de ter liberdade de ser o que bem quiser, o que impede alguém de querer ser um ladrão, um traficante ou algo semelhante. A propósito, é justamente por defenderem uma liberdade sem limites nessa área que, em alguns países, já existem defensores da legalização da pedofilia (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_pr%C3%B3-pedofilia).
             Em segundo lugar, os defensores do homossexualismo não são honestos ao mostrar como alguém, normalmente, é levado à pratica homossexual. Pois alegam a mera escolha ou alguma inclinação natural, quando a realidade nos mostra que a maioria dos homossexuais vem de lares que experimentaram um desajuste fora do comum e outros tantos foram abusados ainda na infância, o que fez com que a visão deles sobre sua própria sexualidade fosse seriamente distorcida e, naturalmente, a prática. Sem contar os muitos que começam pela mera curiosidade e outros tantos, especialmente famosos, que querem aparecer de alguma forma.
             Mesmo em poucas palavras, espero que tenha dado pra ver que o homossexualismo é um desvio moral dos mais graves e uma séria distorção da própria natureza com que fomos feitos, sem contar que tal prática confunde e prejudica de um modo nunca antes pensado, a família. Ademais, o próprio fato de o movimento tentar criar leis para fazer calar os que se opõem já mostra que a prática carece de argumentos racionais e lógicos que combinem com a realidade.
             Agora, pra completar (ou “pracabar”, como dizem alguns) estão tentando distribuir um tal “kit gay” nas escolas de nosso país, num claro incentivo à homossexualidade e que contém incentivos ao namoro precoce com propostas nunca antes aceita nem nas relações heterossexuais normais, o que deveria nos levar a pensar se o que está por trás de tal movimento não é simplesmente a antiga rebeldia que insiste em fazer justamente aquilo que desagrada a Deus, ainda que o erro pareça tão evidente.
             Que Deus nos ajude e preserve nossa liberdade e nossas famílias também!

Rev. Djaik
Capelão do Instituto Presbiteriano Samuel Graham

19 de maio de 2011

O PODER DA PRESENÇA

O PODER DA PRESENÇA


A proveitosa leitura de “Deus em Questão”, um livro que simula um debate entre o grande psicanalista, Sigmund Freud e o profícuo literato e escritor inglês C.S. Lewis, sobre várias questões, me ajudou a entender uma estranha, mas comum, sensação que todos parecem ter quando estão diante do sofrimento mais intenso de alguém, especialmente no caso do luto: a sensação de que não temos nada para dizer.

Particularmente confesso que, no caso do luto, até os populares “meus pêsames” ou “meus sentimentos” me parecem vagos e inúteis, o que mormente me conduz à resignação e ao silêncio reverente. Mas o livro, especificamente no tópico em que mostra as visões do ateu e do cristão sobre o sofrimento, não só confirmou minha teoria da inutilidade das palavras humanas frente ao luto ou a uma dor mais intensa, mas indicou um caminho simples, mas especialmente relevante em meio ao sofrimento e à dor do outro: a presença.

Relatando sua própria experiência, Lewis diz que em meio à dor mais intensa do luto, ele não gostava de ficar sozinho e até tinha temor da casa vazia; no entanto, também não tinha vontade de falar com ninguém e preferia que ninguém falasse com ele, mas não porque realmente quisesse ficar sozinho, o que não queria era ter que conversar com quem quer que seja; para o criativo autor de Nárnia, seria bom que as pessoas ficassem por perto e até conversassem umas com as outras, pois a simples presença delas já seria suficiente para produzir o efeito necessário.

O psiquiatra Armand M. Nicholi, Jr., autor do livro, constata que é clinicamente comprovado que as pessoas enlutadas gostam de ter pessoas por perto, mas sem ter que efetivamente falar com elas, pois nessas horas o que importa mesmo é a “simples” presença. Como pastor, tenho aprendido a depender ainda mais de Deus em ocasiões assim, e mesmo me sentindo carente de palavras, entendo que foi especialmente para momentos como esses que Deus nos deixou a sua Palavra, que nos supre de palavras que de outra forma não teríamos, justamente porque nos conta a história do Deus que vem ao nosso encontro, que se revela como o Emanuel, o Deus conosco, especialmente quando a dor é mais profunda.

Precisamos ter consciência de que a nossa carência por relacionamentos é tão profunda que, mesmo em momentos em que achamos que palavra alguma poderá nos confortar ou animar, e ainda que pareça a todos e a nós mesmos que o que mais desejamos é ficar sozinhos, a presença de alguém que sabemos que nos ama e que se importa conosco faz toda a diferença e fala mais do que quaisquer palavras poderiam fazê-lo. Aliás, a experiência pessoal de Lewis e a experiência clínica do autor do livro indicam que, mesmo, a presença silenciosa vale mais que mil palavras.

Todos sabemos que os amigos de Jó falharam seriamente em sua visão sobre o motivo dos infortúnios do patriarca e, de fato, foram mais proclamadores de provérbios de vento do que de qualquer outra coisa; no entanto, no início de sua abordagem com Jó, eles acertaram em cheio; segundo o escritor sagrado, quando chegaram para ver aquele que, ficou conhecido como o homem mais paciente de todos e que, em suas próprias palavras, se tornara alvo do todo-poderoso, eles o viram de longe e puderam vislumbrar a intensidade do sofrimento do amigo, outrora cercado de benesses. Constrangidos, simplesmente se assentaram junto com ele em terra por sete dias e sete noites sem dizer palavra alguma, porque perceberam que o sofrimento de Jó era realmente muito grande.

Nesse sentido (e talvez só nesse), os amigos de Jó deveriam ser imitados, pois em situações semelhantes ao invés de nos arriscarmos com nossos conselhos (e, até, com algumas estranhas orações), devemos entender que a nossa simples presença faz muita diferença pois já dirá pra pessoa que sofre aquilo que ela mais precisa ouvir: “você não está sozinho”; “alguém se importa com você”. O mais importante, no entanto, quanto ao poder da presença, normalmente está oculto tanto aos olhos dos enlutados e entristecidos pelas agruras da vida como também aos olhos de quem, ainda que timidamente, deseja ofertar algum consolo: Deus está especialmente presente nas aflições, pois se revela como o Deus de misericórdias e de toda consolação e parece ter escolhido se a-presentar, ordinariamente, por meio de outros seres humanos, ainda que por vezes sem palavra alguma.

A convicção do poder da presença nos fará ver, como o salmista, que “o Senhor está conosco entre os que nos ajudam” (Salmo 101) e, com esta consciência, também nos disporemos a sermos usados por Ele nos fazendo presentes em meio às perdas e às vicissitudes que atingem o próximo.

Rev. Djaik Neves

Capelão do Instituto Presbiteriano Samuel Graham

Mestrando em Divindade pelo Andrew Jumper – SP.

16 de abril de 2011

Refletindo Introdutoriamente Sobre Fortalezas Espirituais

TEXTO BÁSICO: 2 CORÍNTIOS 10.1-6

Introdução
Por que, frequentemente, não conseguimos vencer alguns pecados?
Por que algumas coisas na igreja nunca mudam?
Por que algumas coisas em nossa casa nunca mudam?
Por que algumas coisas em nossos relacionamentos nunca mudam?
Por que algumas coisas (claramente condenáveis pela Bíblia, e por vezes ouvidas e repreendidas repetidamente na igreja) continuam prevalecendo na vida de muitos crentes?
Por que a liderança da igreja não consegue superar alguns desafios?


Entrando no assunto...
Já há algum tempo tenho refletido sobre estas perguntas à luz da minha própria vida, família, relacionamentos, trabalho e de uma forma especial à luz do texto que lemos que aborda um assunto pouco tratado, mas que na minha opinião está especialmente presente em nossa existência no que se refere a situações que prevalecem em nossa vida em variados aspectos, que Paulo chama aqui de fortalezas espirituais
          Antes de qualquer outra coisa, ressalto que o que se segue é apenas uma abordagem introdutória que espero servir como um desafio para nos conduzir a pensar melhor sobre o assunto, pois considero o assunto muito mais amplo do que consegui pensar até agora.

Fortalezas Espirituais – O que são?
          Algumas narrativas e ensinos bíblicos nos dão sinais da dinâmica que envolve a vida cristã, da necessidade de estarmos vigilantes e sermos diligentes e também, como queremos mostrar, de forças que se levantam contra o conhecimento de Deus e o desenvolvimento da nossa salvação.
          Todos devem se lembrar da ocasião quando Jesus repreendeu os discípulos por não conseguirem expulsar o demônio de um rapaz e, além de chamá-los de geração incrédula e perversa, acrescentou que aquela casta só poderia sair com jejuns e oração. Sem dúvida, Jesus está nos dizendo que existem situações que exigem um esforço espiritual muito maior.
          Paulo disse que “esmurrava o seu corpo e o reduzia à escravidão para que tendo pregado a outros não fosse ele mesmo desqualificado”; foi ele também quem disse que por vezes fazia o que não queria e o que queria não podia fazer e também aos gálatas advertiu sobre a luta que há entre carne e espírito e que devemos andar no Espírito para não sermos levados pela concupiscência da carne.
          Os primeiros crentes deram trabalho para entender que o Messias não tinha vindo só para os judeus, mas também para os gentios; o próprio Pedro, mesmo já tendo sido convencido há algum tempo (e pelo próprio Deus, cfme. Atos 10) pelo menos numa ocasião ainda agiu com uma certa duplicidade (e tomou uma reprimenda de Paulo). Ao longo da história temos tido notícia de coisas que prevaleceram na vida de algumas pessoas e, até, na vida da igreja que hoje nos deixam envergonhados e constrangidos, mostrando a que ponto podem chegar algumas forças que tendem a nos conduzir para longe da vontade de Deus e consequentemente nos derrotar; dois exemplos penso serem suficiente: a postura da igreja quanto à escravidão e quanto aos negros (especialmente nos Estados Unidos); a omissão da igreja nos tempos do nazismo, quando não só individualmente ,mas institucionalmente também, a igreja se excluiu de protestar e condenar a flagrante
          Fortalezas espirituais são realidades que prevalecem de tal forma na vida de alguém, de uma família, de um grupo, de uma igreja ou de uma instituição e afins que parecem invencíveis. A palavra usada por Paulo também tinha o significado de prisão, uma boa palavra que também ilustra realidades que por vezes nos envolvem, consciente ou inconscientemente, que nos prendem, enfraquecem e prevalecem sobre nós.
          Para vencê-las, precisamos primeiro nos conscientizar delas, mas também, e especialmente, precisamos nos equipar das armas espirituais que Deus coloca à nossa disposição que, segundo Paulo, são poderosas para destruir fortalezas.

Fortalezas Espirituais – O que as caracteriza em especial e como vencê-las
          Outro dia estava em São Paulo com uma irmã e uma sobrinha de sangue, e percebi por meio de uma situação como algumas idéias ou filosofias podem prevalecer em nossas vidas, mesmo quando não temos consciência delas, ou talvez especialmente neste caso.
          Estávamos numa rua movimentada e passamos perto de algumas ciganas que abordavam as pessoas para ler suas mãos e minha irmã comentou: “tá vendo que elas não vem em nossa direção?” (querendo dizer que o fato de sermos crentes promove algum tipo de livramento daquela abordagem); quando voltamos, passamos pelas mesmas ciganas, mas desta vez elas vieram em direção à minha irmã e ofereceram para ler sua sorte. Eu só olhei pra ela e já me fiz entender.
          Este episódio me fez entender o quanto nós podemos ser influenciados por pensamentos, idéias ou filosofias que se parecem muito com a verdade, mas não passam pelo teste da realidade. Em minhas conversas com minha irmã, descobri que ela gosta muito dos programas evangélicos de televisão e pareceu bastante influenciada por alguns aspectos da teologia da prosperidade e por algumas idéias pentecostais e neopentecostais sobre batalha espiritual. Na oportunidade a adverti de que precisava tomar cuidado para não ser levada por ensinos que parecem ser muito bons, mas que na verdade não passam por um teste bíblico apropriado.
          Paulo chama estas fortalezas de sofismas. Sofismas são raciocínios enganosos, grandes mentiras disfarçadas de verdade.  Um argumento elaborado com a intenção de enganar; mas Paulo também  diz que tais sofismas estão relacionados a uma “altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus”.
          Idéias, filosofias ou convicções que prevalecem em nossas mentes e que nos levam a pensar e agir de conformidade com aquilo, e que se torna tão forte que não conseguimos vencer a não ser que levemos a sério e usemos as armas certas.
          Queremos mostrar nesta seção introdutória é que o que caracteriza uma fortaleza espiritual, em especial, é o que podemos chamar de guerra pela mente, visto que é em nossa mente que se trava a verdadeira batalha, é neste âmbito que vencemos ou somos derrotados. É importante destacar também que, como é o caso de uma grande construção, uma fortaleza espiritual não se estabelece de uma vez; como sugeriu o editor da revista da ultimato numa ocasião: “o adultério começa com o relaxamento devocional”; daí o cuidado que devemos ter para que não venhamos a ser, paulatinamente, afastados da vontade de Deus  e nos vejamos numa situação em que prevalece em nossas vidas uma tremenda barreira espiritual que nos derrota e angustia.
          Por isso, Paulo nos diz aqui que as fortalezas se colocam especialmente contra o conhecimento de Deus e as armas espirituais que vencem tais fortalezas são armas que tem o propósito de “levar cativo todo pensamento à obediência de cristo”.
          Curiosamente, pensando em fortalezas como algo que nos prende, aprendemos com Paulo que ou seremos limitados e aprisionados por tais fortalezas, ou usando a armas espirituais seremos aprisionados a Cristo. Lembrando que quando fala de “armas Espirituais” aos efésios ou, literalmente, da armadura de Deus, o apóstolo nos mostra que tal armadura pode ser resumida numa só coisa: o revestimento imprescindível da Palavra de Deus nas nossas vidas.
          Daí a insistência das Escrituras em cultivamos que alguém chamou de um “pensar biblicamente”. O apóstolo Paulo, num texto bastante conhecido (mas que parece pouco praticado), nos diz que somos transformados através da renovação de nossas mentes. Foi da pena de Paulo que também saiu o “habite ricamente em vós a Palavra de Cristo”. Um escritor comenta que “As Escrituras são a corda salva-vidas que Deus nos atira para garantir que ele nós permaneçamos conectados enquanto o resgate está em andamento.” Acrescento que se não estivemos preso às Escrituras e naturalmente ao Verbo de Deus, o Senhor Jesus Cristo, certamente seremos imersos nas águas profundas das fortalezas espirituais do mal que querem nos levar de volta às práticas de quando ainda estávamos na ignorância.
         

Conclusão
          Este é um assunto que requer um tratamento muito mais profundo e abrangente do que consegui ou pretendi aqui, mesmo assim tenho a expectativa de que, pela graça de Deus, no mínimo sejamos levados a refletir sobre estas questões a fim de que não sejamos ou não continuemos a ser derrotados pelas fortalezas espirituais do mal, que cada vez mais se têm levantado contra nós, nossa família, nossa igreja, nossos relacionamentos, nosso trabalho e afins.

19 de março de 2011

Mensagem...


A Igreja dos Sonhos
Rev. Djaik Neves

            Se fôssemos considerar o que muitos líderes de nossos dias consideram como “a igreja dos sonhos” ou a igreja ideal, poderíamos dizer que, mesmo no Brasil em termos gerais, já temos uma igreja assim. A igreja dos sonhos para tantos hoje em dia é uma igreja grande, uma mega-igreja talvez, com um bom conjunto musical (muitos contratam até músicos incrédulos para tanto), com um orçamento estratosférico, um líder que é mais administrador do que pastor e mais animador de auditório do que pregador; a igreja com que se sonha hoje em dia é também uma igreja light, onde não é preciso haver nem compromissos e nem cobranças, algumas batizam as pessoas na primeira vez em que comparecem ao culto, outras não fazem nem questão de se organizar para saber quem entra e quem sai (o sonho pode virar pesadelo se souber).
            Mas a “igreja dos sonhos” precisa ser mais do que a igreja que Deus sonhou (que seria pouco pra quem é o Soberano), mas certamente é a igreja que Deus planejou desde a eternidade e determinou que assim fosse no tempo também estabelecido. E esta igreja ideal, concatenada pelo próprio Senhor da história também não foi deixada à mercê de si mesma, mas recebeu instruções e mandamentos do seu Dono para que caminhasse para o ideal, que foi revelado e com o qual devemos sonhar.
            A “igreja dos sonhos”, segundo o próprio “sonhador” e realizador, é uma instituição que não é formada por voluntários, que agem como se a igreja ou, mesmo, Deus precisasse deles; mas é formada por aqueles que, segundo a Bíblia, o próprio Deus graciosamente escolheu e chamou para terem o privilégio de participarem do seu Reino.
            A “igreja dos sonhos” é uma igreja não autônoma, constituída pelos que entenderam que o Jesus que salva é também o Senhor que governa a tudo e a todos e, para o nosso próprio bem, revelou em especial a sua vontade pela qual o seu povo deve viver, sendo que os seus verdadeiros discípulos são os que “ouvem a Palavra de Deus e a praticam”.
            A “igreja dos sonhos”, como o próprio nome igreja estabelece é uma congregação ou uma comunhão de pessoas que, mesmo sendo diferentes e especialmente complicadas por conta da natureza do pecado, comum a todas as elas, também se tornaram participantes da natureza divina por causa da graça do Senhor em Cristo, passando a serem membros do corpo de Cristo e naturalmente membros uns dos outros; o que combina com o propósito eterno de Deus de resgatar não meramente indivíduos separados (ainda que passe por isso), mas um povo ou uma família que por sua unidade é alvo da bênção e do cuidado especial de Deus-Pai.
            A “igreja dos sonhos” é também, sem dúvida, uma igreja envolvida na sociedade e que, conquanto seja santa ou separada no que diz respeito ao pecado e a tendência do mundo de viver de modo oposto à vontade Deus, também está próxima das pessoas, relacionando-se de forma saudável com todos, compadecendo-se do carente, estendendo a mão ao necessitado e acolhendo o desamparado, demonstrando na prática (como deve ser) o amor de Deus; além de contribuir com seu serviço para o bom desenvolvimento da sociedade, especialmente no que se refere à justiça.
            Finalmente, e de modo especial, a igreja dos sonhos é a igreja da Palavra, que foi sonhada pela Palavra de Deus na eternidade, foi comprada pela Palavra de Deus encarnada e crucificada, foi gerada pela Palavra de Deus revelada e também é conduzida e sustentada pela Palavra de Deus iluminada e aplicada pelo Espírito ao coração dos seus.
            Ademais, pensar na igreja dos sonhos pode nos fazer ficar desanimados, seja pelo que vemos ao nosso redor que parece contraditar o que as Escrituras falam do novo Israel de Deus; seja por nos examinarmos e nos vermos tão longe do ideal do Senhor da igreja para nós. No entanto, podemos pensar e lutar pela igreja dos sonhos porque Jesus mesmo não só ordenou aquilo que é melhor para o seu povo, mas assumiu diretamente a edificação da igreja e garantiu que estaria com os seus todos os dias de suas vidas, daí aqueles que fazem parte da igreja dos sonhos serem chamados também de “mais do que vencedores”, pois lutam já com a vitória garantida.


Ecclesia reformata et semper reformanda est

Seguindo o princípio de nossos pais reformadores que, reconhecendo a realidade provisória da igreja em relação ao pecado, entenderam que a igreja precisava de uma reforma "radical" não só naqueles dias mas enquanto existir deste lado da eternidade, é que elaboramos este blog que tem o propósito de ensinar a sã doutrina das Escrituras Sagradas (também chamada de Teologia), pois é à luz da Inerrante e Suficiente Palavra de Deus que a igreja deve ser reformada e estar sempre se reformando, para se conformar à vontade do Dono da Igreja e alcançar a perfeita varonilidade em Cristo Jesus. Soli Deo Gloria